PAULO PEREIRA

Paulo Pereira, artista muito refinado, com uma geometria de caráter quase minimalista, num jogo entre forma e conteúdo. O uso ou adoção da madeira escura do jacarandá e cortes metálicos de movimentos sinuosos que alimentam uma imaginação construtiva, que torce formas côncavas e convexas e faz com que suas estruturas tenham a definição da obra em si, às vezes a forma se reduz a uma linha que avança ou que se inscreve no espaço. A obra de Paulo Pereira se insere numa perspectiva ilimitada, expressando com um requintado artesanato na madeira, assim como o fez o artista norte-americano Martin Puryear, vencedor do prêmio de melhor artista da XX Bienal Internacional de São Paulo, que também foi buscar no design e na artesania nórdica, os recursos plásticos da madeira. Trazia na obra, entretanto, uma nova linguagem para a escultura, no limiar entre figuração e abstração propriamente, com belos efeitos construtivos.
Assim, o mesmo acontece na obra protobarroca de Pereira, uma associação entre muitas outras, desde a construção, onde o desenho da madeira exerce o domínio da forma, aos discos escuros, também de várias madeiras e com sutis ondulações numa expressão sinuosa e sensual. Há ainda outra vertente de linhas duplas, retângulos, cones alongados, dobras curvas de aço polido como se quisesse encastoar ou interromper a continuidade da forma.
Emanoel Araújo, São Paulo, 2019
Diretor Curador - Museu Afro Brasil